sexta-feira, 24 de junho de 2016

MEMÓRIA 1988 - VARIEDADES NO CINE-TEATRO PROMOVIDAS PELA FILARMÓNICA

Fados dos anos sessenta;  o célebre «Rock around the clock» de Bill Halley e os seus Cometas dos anos cinquenta; trechos de revistas lisboetas dos anos quarenta; mas também Gil Vicente, um poema sobre Mação, Dire Straits e Dora, tudo isto foi possível apreciar-se no espectáculo de variedades, com um certo sabor revivalista, que a Filarmónica União Maçaense apresentou no Cine-Teatro de Mação. Lotação esgotada, muito entusiasmo, muitas palmas, Nino, fadista castiço, levou a assistência ao rubro, mas também o jovem teclista Zé Neto recebeu muitas palmas.
No final todos os intervenientes no palco: a ovação maior para Agostinho Pereira Carreira, presidente da Filarmónica União Maçaense e obreiro do espectáculo.

In O Ribatejo - 24/Junho/1988

terça-feira, 21 de junho de 2016

MEMÓRIA 1988 - O CARTÓRIO NOTARIAL REDUZIDO A UM FUNCIONÁRIO

O Cartório Notarial de Mação encontra-se actualmente reduzido a um funcionário, já que, desde o verão passado, a notária e uma escriturária foram transferidas,  a seu pedido, para outras localidades.
O que se previa veio a suceder. o Cartório teve que encerrar por doença do único funcionário que assegurava os serviços.
Atempadamente deveria o Ministério da Justiça ter providenciado para que as vagas existentes em Mação fossem preenchidas, evitar-se-iam situações como a que agora está sucedendo no notário desta vila.

In O Ribatejo - 21/Junho/1988

segunda-feira, 20 de junho de 2016

LOLITA DE VLADIMIR NABOKOV


Humbert, o protagonista, apaixona-se por uma "ninfeta" de 12 anos, eis o  tema central do romance do aristocrata russo e conhecido romancista Vladimir Nabokov. O livro que sofreu diversos ataques censórios, ainda actualmente consegue desencadear polémicas pelo modo frontal como trata a pedofilia. Como afirmou o escritor John Updike «Nabokov escreve prosa do único modo que esta deve ser escrita, ou seja, extasiadamente», de facto a escrita de Lolita arrasa-nos, pela maneira como é desencadeada a trama.  O livro havia sido salvo num dia de 1950 pela sua mulher Vera quando Nabokov pretendeu queimar os primeiros capítulos, incapaz de resolver algumas dificuldades técnicas. Lolita é sobretudo um notável exercício estilístico, retrato cheio de ironia dos aspectos mais perversos e inconfessáveis da natureza humana.
(São Petersburgo, Rússia, 22-Abril-1899<>Montreux, Suiça, 2-Julho-1977)

domingo, 19 de junho de 2016

MEMÓRIA 1971 - MELHORAMENTOS

Junto ao Calvário está a construir-se, talvez, a zona mais imponente de Mação.
Contribuem para essa imponência um amplo Campo de Feiras, um sóbrio mas elegante quartel para a Guarda Nacional Republicana, um edifício para diversos serviços camarários, duas piscinas, uma de adultos e outra para crianças e, finalmente, um restaurante.
Lamentava-se a localização do quartel da G.N.R., a que as escadarias do Calvário, mesmo sobre ele, além de esteticamente feio, lhe tiravam a imponência.
Surpreendentemente, começou a notar-se grande movimento de escavadoras e camionetas ali para os lados do Campo da Feira, há poucos tempos atrás, e tal como o ovo de Colombo, o que estava ajoujado ao volume de terras se uma escadaria, tornou-se altivo e imponente, porque, em hora feliz, resolveu-se cortar parte das escadarias do Calvário, e assim desafectar e pôr bem à vista, nas suas belas linhas, o edifício do quartel da G.N.R..

In Diário do Ribatejo - 19/Junho/1971 

sexta-feira, 17 de junho de 2016

MEMÓRIA 1971 - VIATURA ABANDONADA

Foi abandonada, há já algumas semanas, no largo Infante Dom Henrique, desta vila, a viatura GF-18-25, «Austin» de côr preta, a qual não contém qualquer chapa indicativa do nome do proprietário.
Talvez o único sinal identificador seja um velho galhardete do Tramagal Sport União.

In Diário do Ribatejo - 17/Junho/1971

quinta-feira, 16 de junho de 2016

MEMÓRIA 1983 - PATENTE EXPOSIÇÃO SOBRE A ARTE DOS POVOS QUE DESCOBRIMOS

Encontra-se patente no Museu Municipal Dr. João Calado Rodrigues uma exposição subordinada ao tema «A Arte dos Povos que Descobrimos».
Esta exposição está incluída num ciclo que irá abranger as temáticas «Os Escritores do Renascimento e as Descobertas dos Portugueses na Biblioteca de Mação», a abrir proximamente na Biblioteca Municipal, e ainda «A Cultura do Renascimento no Concelho de Mação», a inaugurar em data não prevista, na Casa da Aposentadoria da Câmara, edifício adquirido recentemente a um particular por um comerciante local, em estado de quase ruína, e à volta do qual gira uma certa polémica. Esta iniciativa pretende ser o contributo do município local à «Expo XVII - Os Descobrimentos Portugueses na Europa do Renascimento» a decorrer com tanto êxito na capital do País.
A primeira das exposições já inaugurada está patente ao público até fins do próximo mês de Setembro.

In Diário de Coimbra - 16/Junho/1983

quarta-feira, 15 de junho de 2016

MEMÓRIA 1971 - CORRIDAS DE MOTONÁUTICA

Conforme oportunamente noticiámos, vai realizar-se em Julho próximo uma grande prova de motonáutica na Barragem de Belver, deste concelho.
Hoje é-nos possível adiantar mais alguns pormenores sobre essa importante prova desportiva que, como anunciámos, tem  patrocínio da Câmara Municipal de Mação. 
Assim a sua realização foi definitivamente  marcada para 25 do próximo mês de Julho, pelas 15.30 horas, com organização técnica da Federação Portuguesa de Motonáutica.
No sábado, dia 24, organizar-se-á uma festa regionalista em honra dos concorrentes e seus acompanhantes.
A distribuição dos prémios será feita nesta vila, em local a designar, logo após o cocurso e no decorrer de um jantar em honra dos concorrentes.
Por carência de alojamentos, está procurando a Câmara Municipal conseguir a cedência, por particulares, de quartos para instalar os concorentes.

In Diário de Coimbra - 15/Junho/1971


domingo, 12 de junho de 2016

MEMÓRIA 1974 - O MOMENTO POLÍTICO EM MAÇÃO

Realizou-se no passado domingo um plenário concelhio para escolha das pessoas que hão-de formar a Comissão Administrativa que gerirá o Município até que, pelo Governo, provisório ou definitivo, sejam legisladas as condições de escolha dos corpos administrativos.
Para esclarecimento da população a Comissão Democrática de Mação - C.D.M. - publicou e fez distribuir o seguinte comunicado:

«Para mais completo esclarecimento da opinião pública do concelho de Mação, quanto às finalidades da assembleia popular convocada para o próximo domingo, informa-se:
1 - A C.D.M. tem objectivos exclusivamente políticos, não estando em causa aspectos de ordem pessoal envolvendo qualquer dos membros da Câmara Municipal de Mação.
2 - A C.D.M. propõe a dissolução total da Câmara Municipal de Mação e não apenas destituir o seu presidente, cujas qualidades morais não são contestadas.
3 - A Comissão Administrativa terá como principal actividade o indispensável saneamento das instituições do concelho, sendo evidente que essas funções não devem ser exercidas pela Câmara Municipal estabelecida durante o regime fascista - o que seria grave ofensa não só aos princípios democráticos mas também ao mais elementar bom senso.
4 - A C.D.M. entende que é atraiçoar o espírito da revolução de 25 de Abril e enganar o povo perfilhar-se outra atitude que não seja o saneamento imediato e resoluto das instituições através de uma Comissão Administrativa para a Câmara Municipal».

Com a sala do Cine-Teatro local completamente cheia, apinhando-se ainda as pessoas pelos corredores e palco, deu-se início ao anunciado plenário, cujos trabalhos foram dirigidos pelos elementos da C.D.M., srs. dr. António José Mirrado Paisana, António Diogo Aleixo, Manuel Simões Saldanha e Herculano de Carvalho, vendo-se ainda na mesa elementos representativos das freguesias de Aboboreira, Amêndoa, Cardigos, Carvoeiro, Envendos, Ortiga e Penhascoso, isto é, de todas as freguesias do concelho.
Entre a assistência contava-se o dr. Emanuel Catarino, presidente do Município, que se encontrava acompanhado por todos os vereadores.
Lidos os pontos da sessão, verificou-se a intervenção de vários assistentes, dos quais distinguimos os esclarecimentos do dr. Emanuel Catarino, relativo ao modo democrático como tinham sido escolhidos os vereadores.
Esboçou-se, então, um movimento para que fossem aproveitadas aquelas pessoas que, no anterior regime, tinham dado provas de capacidade.
Prontamente a mesa esclareceu que todas as pessoas que tinham servido o Estado Novo, fosse qual fosse a sua capacidade, deveriam ser neutralizadas, ao que a assembleia deu o seu unânime acordo.
Entrou-se de seguida no ponto quente do plenário: a escolha das pessoas que formarão a Comissão Administrativa. Democraticamente, resolveu-se que durante o intervalo que se seguiria, as pessoas agrupar-se-iam por freguesias e escolheriam dois elementos por freguesia.
Assim se fez, tendo sido deste modo escolhidos os dois representantes por cada uma das freguesias que integram o concelho. Mas para que a escolha não pudesse sofrer dúvidas do modo democrático como se desejava fosse feita, deliberou-se ainda a efectivação de sessões públicas, em cada uma das freguesias, para ratificação dos nomes escolhidos.
Consequentemente, já foram realizadas durante esta semana algumas sessões para o efeito indicado, pelo que esperamos ser possível anunciarmos os nomes escolhidos, bem como o dos quatro elementos que, finalmente, um colégio eleitoral elegerá entre os dezasseis representantes das freguesias.
Fez-se, deste modo, uma eleição tão democrática quanto as circunstâncias actuais permitem

In Diário de Coimbra - 12/Junho/1974.

sábado, 11 de junho de 2016

21º. CONGRESSO NACIONAL DO PARTIDO SOCIALISTA

No 21º. Congresso do PS, realizado em Lisboa de 3 a 5 deste mês, inexplicavelmente, o PS/Mação não apresentou quaisquer delegados.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

MEMÓRIA 1989 - CHUVA E TROVOADA ORIGINARAM CORTE DE ENERGIA

As chuvas intensas, acompanhadas de trovoadas, que nos últimos dias se fizeram sentir nesta região, originaram cortes frequentes no fornecimento da energia eléctrica que, por vezes, se prolongaram pelo espaço de algumas horas.
As deficiências que acentuadamente se estão verificando no fornecimento de electricidade pela EDP, que apesar das constantes reclamações dos utentes não consegue alterar a situação, não cria grandes expectativas na viabilidade da zona industrial que o Município projecta implantar na periferia desta vila.
Com as estradas que possuímos (o IP6 está cada vez mais longe em termos de  início de construção), mais o recente encerramento pela CP, da secção de transporte de mercadorias e adicionando um deficiente fornecimento de energia eléctrica, haverá algum industrial ou grupo económico que queira investir os seus capitais no concelho de Mação?

In Diário de Coimbra - 9/Junho/1989

quarta-feira, 8 de junho de 2016

MEMÓRIA 1988 - CP SUPRIME PARAGEM DE COMBOIOS

Com a entrada em vigor de novos horários de caminho de ferro, foi suprimida a paragem na estação de Alvega-Ortiga, que serve este concelho, do comboio que às 10:15h fazia a ligação com Lisboa e às 21:25h regressava da capital.
Cada vez esta vila, este concelho, vão ficando mais isolados. É a RN, que funciona com reduções substanciais aos sábados, domingos e feriados. É agora a CP, que limita as comunicações com Santarém e Lisboa.
Certamente, o município terá uma palavra a dizer.

In O Ribatejo - 8/Junho/1988

terça-feira, 7 de junho de 2016

MEMÓRIA 1988 - ANTÓNIOS DE MAÇÃO CONVIVEM

Missa, almoço  e fados. É no dia 12 de Junho, no Centro Recreativo de São Miguel, no Vale de Mação.

In O Ribatejo - 7/Junho/1988

segunda-feira, 30 de maio de 2016

sábado, 28 de maio de 2016

MEMÓRIA 1974 - PRIMEIRO ACTO DA COMISSÃO DEMOCRÁTICA DE MAÇÃO

Como primeiro acto da Comissão Democrática de Mação, conhecida pela sigla CDM, acaba de vir a público a seguinte declaração:

« - Considerando a total ausência de formação política de base que faculte ao povo do Concelho de Mação consciente participação no instaurado Regime Democrático;
  - Considerando que urgente reformulação de princípios deverá imprimir ao sector económico do Concelho os níveis de desenvolvimento indispensáveis à fixação da sua população ajustada a padrões de autêntica vida civilizada;
 - Considerando a manifesta insuficiência dos serviços e meios materiais e humanos ao dispor das populações, para uma conveniente cobertura das prementes necessidades médico-assistenciais  e para acesso eficaz à Cultura mediante estabelecimentos de ensino actualizados e competentes;
 - Considerando que, secundando a ditadura fascista, o autoritarismo obscurantista de minorias  dominantes continua a frustrar  sistematicamente às populações trabalhadoras o direito, que se entende ser urgente restaurar, às legítimas reivindicações sociais;
PROPÕE-SE
1 - A constituição da Comissão Democrática de Mação (CDM) integrando elementos de todas as freguesias do Concelho que, estabelecendo contactos de cooperação com grupos de apoio e organizações democráticas - designadamente C.D.E. - se oriente para a enunciação de soluções que dinamizem as populações no debate e tomadas de posição face à problemática concelhia;
2 - Que a referida CDM  seja composta exclusivamente por pessoas reconhecidamente desafectas e não comprometidas com o regime fascista eliminado, colaborado nos objectivos do Governo Provisório em exercício;
3 - Que a C.D.E. impulsione activamente as populações com vista à sua participação insistente nas tarefas colectivas de reorganização das instituições e eleição  dos quadros  dirigentes;
4 - Que Assembleias Populares a realizar nas autarquias locais, previamente convocadas pela CDM, discutam livremente e deliberem sobre problemas de interesse comum, sancionando as suas decisões com votação de moções pelas quais organismos públicos e privados se vinculem às resoluções que foram aprovadas e não sejam iludidas as justas aspirações populares;
5 - Que a CDM exerça uma campanha no seio das massas populares de todo o concelho, propagando, como direito fundamental dos trabalhadores, o princípio de que a sua intervenção organizada nos vários sectores laborais, desde a produção de bens e serviços - de que são efectivamente os principais  agentes - 
até à própria gestão do processo económico, é garantia de maior justiça na distribuição de rendimentos, libertando-se deste modo da tutela do paternalismo dirigista que sempre os oprimiu na situação de meros obreiros passivos da riqueza.
Votada e aprovada pela CDM em Mação aos 22 de Maio de 1974»

Realizou-se no passado domingo uma reunião de democratas, a nível concelhio, de que esperamos poder dar pormenores numa as nossas próximas edições.

In Diário do Ribatejo - 28/Maio/1974


terça-feira, 24 de maio de 2016

MEMÓRIA 1970 - FUTEBOL

Realiza-se hoje um encontro de futebol entre o C.A.T. do Pessoal da Fábrica Mirrado, desta vila, e o Grupo Desportivo Nunes Corrêa, de Lisboa. O desafio será disputado no Campo do Marco e terá início às 16 horas.

In Diário de Coimbra - 24/Maio/1970 

sexta-feira, 20 de maio de 2016

1984 DE GEORGE ORWELL


O romance 1984 marcou indelevelmente a literatura do século XX. É uma obra que se lê de forma dolorosa, ao sentir-se quanto é dramática a vida sob uma ditadura impiedosa, que destrói, completamente, a liberdade individual. George Orwell constrói um sistema político ditatorial que todos nós aceitamos  ser possível existir, mesmo actualmente, (Coreia do Norte?), com todos os recursos que estão ao dispor  do Homem. É possível manipular a história para conseguir manter uma ditadura, reformular o passado para o adaptar às circunstâncias actuais que convêm ao ditador, limpar o pensamento de cada cidadão e substituí-lo por um pensamento único. A  força das ditaduras como acontece em qualquer uma,  seja qual fôr o continente em que se localize, a propaganda e a repressão são os pilares do regime. No entanto o aspecto radical de 1984 reside nisto, a  propaganda e a  repressão atingem limites impensáveis. A  propaganda deve refazer por completo toda a personalidade do cidadão: a Winston, o protagonista, é retirado tudo o que o caracteriza como ser humano pensamentos e sentimentos, tudo é reescrito na alma até que o súbdito ame profundamente o Grande Irmão.
(Mothiari, Índia Britânica 25-06-1903<>Camden, Londres, Grã-Bretanha 21-01-1950)

quarta-feira, 18 de maio de 2016

MEMÓRIA 1974 - O MUNÍCIPIO DE MAÇÃO FACE À SITUAÇÃO DEMOCRÁTICA

Subscrito pelo dr. Emanuel Catarino, presidente do município  local, apareceu afixado, em profusão, nas montras de diversos estabelecimentos locais, o seguinte comunicado, que transcrevemos na íntegra:

«1º. -  Que quando aceitou o cargo de presidente da Câmara, o fez com alguma relutância pelo facto de ser nomeado por uma entidade e não eleito por votação de munícipes, tendo pesado na sua decisão a percepção de que era aceite pela maioria, o que se tem provado por inequívocos testemunhos recebidos.
 2º. - Que não estando «agarrado» ao lugar, com a ideia ou «vã glória de mandar», tem estado sim com o desejo de servir os legítimos interesses dos munícipes e prover o progresso e bem estar no Concelho.
 3º. - Que decidiu seguidamente à revolução de 25 de Abril, colocar o seu cargo e a sua pessoa ao dispor da Junta de Salvação Nacional, mantendo-se no entanto em exercício até decisão da mesma Junta.
 4º. - Que tendo conhecimento do interesse e diligências feitas por pessoas estranhas ao Concelho, no intuito de se constituir uma Comissão Administrativa, sugere que as pessoas contactadas se apresentem com as suas credenciais de representatividade, para se pôr o problema à consideração do delegado distrital da Junta de Salvação Nacional.
 5º. - Tendo nós prestado já o nosso contributo, desinteressado, ao serviço do Município, entendemos que a hora pode ser de renovação - se assim for entendido por quem de direito e a bem do Concelho.
Viva Portugal
Emanuel Sales Belo Catarino
Presidente da Câmara Municipal de Mação»

Sabemos que se fazem tentativas  no sentido da criação de uma Comissão Democrática Concelhia, possivelmente apoiada nos movimentos da C.D.E, mas parece que as pessoas contactadas, conhecidas pelas suas ideias anti-fascistas desde há muitos anos, não se mostram muito entusiasmadas com a ideia, talvez por se sentirem rodeadas por uma população totalmente despolitizada e que, nas últimas eleições do regime fascista concorreu com uma percentagem de 86,7% de votos a favor dos candidatos únicos.
Não nos consta também que se esteja a desencadear qualquer movimento no sentido de destituir os governantes municipais ou sequer os dirigentes das Juntas de Freguesia ou de outros quaisquer organismos corporativos, o que se justifica pelo conformismo que a população do concelho mostrou durante o longo consulado salazarista e caetanista.

In Diário de Coimbra - 18/Maio/1974

sexta-feira, 13 de maio de 2016

MEMÓRIA 1978 - CÂMARA MUNICIPAL NÃO IÇA BANDEIRA

Foi muito notado e comentado o facto de, no dia  primeiro de Maio, a Câmara Municipal não ter hasteada a bandeira nacional no edifício do município, em nítido contraste com alguns edifícios vizinhos - Escola Primária, C.A.T do Pessoal da Fábrica Mirrado e C.T.T. - que tinham a ondular ao vento o símbolo da Pátria.

In Diário de Coimbra - 13/Maio/1978

terça-feira, 10 de maio de 2016

0 PROCESSO DE FRANZ KAFKA


No Processo Joseph K é o homem perdido num mundo irreal em que vive. Joseph K, o protagonista de O Processo, procura desesperadamente deslindar a trama em que alguém o colocou e  esbarra contra um Estado totalitário, impessoal, acima de todos os cidadãos. Joseph K não consegue aceder ao seu processo, por muitas diligências que tenha feito, incluindo o recurso a advogados. Lentamente a Justiça transforma-se numa entidade misteriosa e, seguramente, irreal. Afinal a culpa de Joseph K é a sua existência, única resposta possível para a angústia do desconhecimento da acusação. De todas as obras de Franz Kafka, escritor do absurdo,  esta é aquela em que mais nitidamente o autor consegue aliar o obscuro ao real
(Praga, República Checa 03-07-1883<>Klosterneuburg, Áustria 03-06-1924)