terça-feira, 24 de maio de 2011

CRUEL É A VIDA

Há poucas semanas atrás havíamos estado juntos, acorrera ao seu encontro quando alertado que nem tudo estava a correr bem. Encontrei-o numa cama de hospital, já recuperado, após ter sido submetido a tratamento adequado à sua situação clínica. Poucos dias depois, crueldade da vida, sobreveio-lhe um AVC, com implicações no processo de recuperação que se vinha observando. A despeito de todos os cuidados médicos que lhe foram aplicados nesse hospital de excelência, não se observaram quaisquer melhoras. Pelo contrário a degradação cerebral foi-se acentuando, de tal modo que o tornou incapaz de reconhecer familiares e amigos. Nada mais havia a fazer senão transferi-lo para uma UCCI. Decidi ir visitá-lo, num domingo quente de sol, bom para muitos, mas não para todos. Pelos avisos que me foram chegando estava preparado para o pior. Não me reconheceu. Nem mostrou o mínimo interesse em estar comigo. Cruel é a vida. Fugiu do seu mundo de sempre. Agora, rodeado de novos conhecimentos ou, mais provavelmente, cercado por fantasmas, espera pela hora da partida. Regressei destruído.



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